terça-feira, 14 de janeiro de 2014



há em todos os sorrisos
comerciais de pasta de dente
há em todos os olhos
baldes de sangue
pisado
todos os que sonham
atravessam noites em claro
e a engrenagem dos desejos
mói músculos em embalagens de
um quilo

todo ônibus tem um pouco de
navio negreiro
e os capitães do mato estão atentos
a todas as roletas
os que agora choram regam as certezas
que serão vendidas em latas
nas prateleiras
da guanabara

mas onde há fumaça
o fogo já não é de todo
e o mundo é roda-vida
que não cansa
o inferno
outrora anunciado em letreiros luminosos
há de estar vazio quando chegar
a hora

porque todos os cães merecem o céu

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