terça-feira, 1 de dezembro de 2009

- Movimento por um Brasil literário -

A leitura literária é um direito de todos e que ainda não está escrito.

Formar um país de leitores já foi slogan de muitas campanhas governamentais de incentivo à leitura. Todas elas, de alguma forma, não alcançaram o objetivo proposto. Dados recentes mostram que o Brasil tem 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Certamente ainda há muito a ser feito.
O que mais impressiona nesse número é que dentre o mar de não leitores, encontramos pessoas que passaram por um processo de escolarização, seja completando o Ensino Fundamental ou até mesmo uma graduação. A formação do leitor, portanto, não está condicionada simplesmente a inserção do individuo em uma instituição de ensino, mas a que tipo de educação ele receberá nesse local.

Alfabetizar-se, saber ler e escrever, tornaram-se hoje condições imprescindíveis à profissionalização e ao emprego. A escola é um espaço necessário para instrumentalizar o sujeito e facilitar seu ingresso no trabalho. Mas pelo avanço das ciências humanas compreende-se como inerente aos homens e mulheres a necessidade de manifestar e dar corpo às suas capacidades inventivas.

Uma ensino que instrumentaliza a língua, que enxerga a palavra como simples ferramenta de trabalho ou mecanismo de inserção social, formará indivíduos que saberão pegar o ônibus certo, ler uma placa ou assinar seus contracheques, mas que nunca conhecerão a si mesmos. E é esse o principal objetivo da leitura literária: humanizar o homem.

Outorgando a si mesmo o privilégio de idealizar outro cotidiano em liberdade, e movido pela intimidade maior de sua fantasia, um conhecimento mais amplo e diverso do mundo ganha corpo, e se instala no desejo dos homens e mulheres promovendo os indivíduos a sujeitos e responsáveis pela sua própria humanidade. De consumidores passa-se a investidores na artesania do mundo. Por ser assim, persegue-se uma sociedade em que a qualidade da existência humana é buscada como um bem inalienável.

Cito como leitura, também, A literatura em perigo, livro recente do crítico búlgaro Tzevtan Todorov. A necessidade de humanizar o homem, de apresentá-lo a si mesmo, de informá-lo sobre sua condição, é real e pode ser mediada pela Literatura. A palavra literária possibilita a transgressão do real, permite ao homem libertar-se de uma realidade sobre a qual muitas vezes não possui domínio.

É o que a literatura oferece e abre a todo aquele que deseja entregar-se à fantasia. Democratiza-se assim o poder de criar, imaginar, recriar, romper o limite do provável. Sua fundação reflexiva possibilita ao leitor dobrar-se sobre si mesmo e estabelecer uma prosa entre o real e o idealizado.

A Literatura deve ser encarada como um bem de primeira necessidade e é nosso papel criar um país onde a leitura literária seja um direito todos.

*Todos os trechos em itálico foram retirados do Manifesto por um Brasil Literário, que pode ser acessado no site do Movimento: http://www.brasilliterario.org.br/ Lá você pode também aderir ao MBL deixando seu nome e contato.
Além disso, há o twitter (http://twitter.com/Brasilliterario) e uma comunidade no orkut recém criada por mim (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=96666387).

Abaixo segue o vídeo do Bartolomeu Campos de Queirós falando sobre um Brasil Literário.


4 comentários:

  1. gostei do blog daniel, haha.
    gostei muito de você escrevendo :))

    parabéns, e obrigada pelos incentivos literarios :)

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  2. Excelente post!
    Em busca da humanização por meio da literatura \o/

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  3. O movimento tá crescendo! Tô sabendo de apoio até no Tocantins...
    ;)

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