domingo, 29 de novembro de 2009

- De que tanto sorri a gorda? -


Nuvens de algodão-doce passam
sobre um mar de refrigerante
ligth zero
porque a gorda ri, mas quer ser magra
quer ser palito de picolé
quer ser vareta de pega-vareta.

A gorda atenta em sua bicicleta
sempre alerta
vigilante
do peso
mastiga algo:
deve ser um chocolate!
caloria caloria caloria
Ria, gorda.
O que tem demais em ser cheinha emmeio a pessoas tão vazias?

A gorda bola é cool
não é quadrada.
Lembre-se que o universo é curvo,
a terra é redonda, o mundo dá voltas...
Gorda,
acorda!

Pão com presunto
pão com queijo
pão com ovo
pão com manteiga
pão com pão
com pão
com
pão
com tudo.

A gorda segue com seu chocolate,
seu martírio,
sua criptonita.
E, ao fim, papel laminado na mão,
marrom nos dentes
e mil quilos na consciência.
Ora, gorda, santa paciência!

O luto nem madura
e ela já esboça novamente um sorriso
meio tímido
meio pesado
mas doce demais.

A gorda ri, mas devia gargalhar.

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